
PEDRA
㇑pedra㇑na terra
secular vigília
guarda o tempo
㇑pedra㇑ no sapato
diário desconforto
consome o pé
㇑pedra㇑ na escrita
poema parido
liberta a palavra
QUERER
olhar
pesquisa da alma
quer a alma na palma
toque
interesse das mãos
quer as mãos nos cabelos
abraço
vontade do peito
quer o peito colado no seu
carinho
escape do amor
quer o amor tirando seu ar
sorriso
flor dos lábios
quer os lábios nos grandes lábios
beijo
desejo da boca
quer a boca no deserto das costas
UM SONETO PARA A FLOR
Pisou a flor já escarnecida
sem pudor nem compaixão.
Esmagou as pétalas na mão…
Entre os dedos jazia, destruída.
Manchou de rubro vívido
a carne das unhas roídas
e com as esperanças desvalidas,
ainda chorou o miolo lívido.
Mal sabia a flor que a resiliência
estava guardada em sua semente,
que dormia ali no pólen-leito
e que se esperasse com paciência,
renasceria no colo da terra quente,
a despeito do mal que lhe foi feito.
Edição completa da revista disponível em: https://drive.google.com/file/d/1Nyd38auiV1itT3iOnP1FQcDWI8xY3mMk/view