
Trago cá neste cordel
divertida brincadeira:
um carrinho que descia
de dar medo na ladeira.
Nas rodinhas, rolimã,
e o corpo de madeira.
Nos cabelos, ventania,
coração acelerado.
No asfalto muito quente,
tinha que tomar cuidado,
para não ralar os dedos
ou fazer um machucado.
Já na chuva, que delícia,
chão da rua bem lisinho:
desafio e perigo,
emoção no bom carrinho.
Mamãe chama para dentro:
- Banho quente e chazinho.
No domingo, a surpresa:
chegou a competição!
Vizinhança animada!
- Nada de juiz ladrão!
Duplas feitas, sorte a minha,
fiquei com minha paixão.
Na garupa do carrinho,
ao menino abraçada,
descobri que o coração
quase foge prá calçada.
Amor é descontrolado,
fui no grito disfarçada.
Terminada a corrida,
meu olhinho até brilhava.
Não queria mais troféu,
e no prêmio nem pensava.
Eu olhava pro menino
que de volta me fitava.