27 Mar
27Mar

Ontem estive numa profícua conversa com escritoras do Coletivo Escreviventes, por mensagens de whatsapp, discutindo e refletindo sobre capitalismo, escrita, livros e outros atravessamentos que vivemos como mulheres.


Depois que a conversa esfriou, fiquei sozinha com meus pensamentos, matutando sobre tudo, e deixei que alguns incômodos ganhassem forma. Assim nasceu a lista de verbos de um cotidiano sonhado. Pequenas atitudes diárias que, se colocadas em prática, poderiam mudar a realidade.

 
Meu dia perfeito seria simples. Não teria o luxo das compras, a viagem incrível dos filmes ou tantas outras coisas moduladas pelo consumismo desmedido. Também não teria trabalho, porque nele reside o meu tempo de vida transmutado na manutenção dos meios de produção, poder e capital, nas mãos de quem já o tem e explora o trabalhador. Um dia em casa, sem mais e nem menos.

 
Cozinhar a própria comida, estar em afeto e presença com os familiares, cuidar da pele com um creme, estudar uma coisa nova. Tudo isso pode parecer bobagem às vistas de quem só lucra às nossas custas, mas são esses fazeres invisíveis e os momentos íntimos de afeto que nos presentificam na vida de quem amamos.


Rebelar-se, em nosso contexto, é também conjugar a vida com mais calma, é escolher atitudes que priorizam as relações, o cuidado consigo, com o outro, com o coletivo e com o mundo.


Quando jogamos uma pedrinha no lago, apesar de seu tamanho diminuto, observamos ela criar na superfície da água, círculos concêntricos que ondulam e se expandem, atraindo peixes multicolores. Assim a beleza se instaura na paisagem.


Convido você a jogar sua pedrinha. Coloque em prática seus verbos do cotidiano sonhado, nem que seja um por dia. Vamos criar uma revolução silenciosa e, quem sabe, estaremos inaugurando um movimento por futuros mais humanos.


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