13 Nov
13Nov

Ás vezes uma porta se fecha.

Começamos com uma ideia do trajeto e então organizamos a jornada previamente, criando um planejamento seguro para cada etapa, onde depositamos energia e esperança. 

Damos aquele pontapé inicial e, de repente, sem explicação alguma, o plano é interrompido, quase que violentamente contra os propósitos primeiros, sem que se possa corrigir a rota porque a negativa não está sob nosso controle. O não veio de fora.

Lamentamos. Choramos um pouco. O rosto fica entumescido de raiva. A boca seca pede água, engolimos sem muita fluidez o chocolate antiestresse e a sensação de vazio vai absorvendo nossa confiança. Então procuramos uma amiga, que costuma ter a palavra certa ou a poesia mais bonita para indicar.

Passado o momento frustrante que se dá logo de cara, chega em seguida a síndrome da impostora, em que acreditamos que o problema reside na nossa incapacidade: a velha história de não ser boa demais e ter feito tudo errado desde o começo. Nessa hora a gente procura a mãe e, se ela já partiu, a mulher mais velha que conhecemos e que pode nos dar conselhos sábios. Ela nos lembra que o mundo não é justo e não estamos jamais em pé de igualdade.

O fato é que pode-se reivindicar o que for, quem sabe tentar discutir as entrelinhas, criar um incômodo diante desse imprevisível e sonoro cancelamento intempestivo, mas se está fora do nosso alcance, talvez seja preciso investir na aceitação.

Mas a teimosia também tem suas artimanhas e um não pode se tornar combustível. Há essa possibilidade de, na fissura, fazer nascer uma flor. Não obstante, uma dose cavalar de coragem precisa ser injetada em quem dá o outro lado do rosto para a vida bater.

Eu sou do tipo que aceita, mas antes, teima. E depois, ainda com as bochechas vermelhas dos tapas, fico procurando outra porta, janela, espaços minúsculos para fazer vingar os meus sins.

Aprendi que quando uma porta se fecha, outra abertura aparece e é preciso prestar atenção aos sinais. Eles estão por toda a parte: naquele e-mail não lido, no sol que se espalha entre os prédios, na mensagem de um amigo, na inscrição para o curso que foi prorrogada.

Tudo é caminho, basta se abrir.

Hoje eu achei uma fenda.

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